domingo, 26 de fevereiro de 2012

Histórias de Ana...

Ana nunca soube quando estava certa. Nascera em família humilde e fora entregue ao tio aos cinco meses. Ele e a sua esposa não tinham filhos, tudo apontava que não poderiam ter. A mãe alegou dar-lhe porque não tinha condições para criá-la [Na verdade, já tinha outros tantos filhos e tivera, também, depois. Criou e deu amor a todos. Então, não se sabe realmente porque a deu. Provavelmente um a mais ou um a menos não faria tanta diferença, estaria dentro da família mesmo]. Após dois anos, fora registrada como filha legítima dos pais que a adotaram. Sem legalizações nem nada, apenas fora legitimada por meio de uma certidão de nascimento. Aos três anos, Ana tivera um irmão e após mais três anos, uma irmã. A família que o casal sempre sonhara ter era para ser contituída por dois filhos e não três. Mas eu estava lá, antes bem vinda. Agora, ousada. Diziam-na que ela tinha raciocínio lento e que era mais burrinha do que os irmãos, diziam também que não tinha talento algum e que era feia. Quando seus seios começaram a crescer, tiveram um boom e isso a afetou profundamente. Sua atual mãe reclamava-lhe todos os dias, como se fosse culpa dela ter seios grandes [Atualmente, nem são mais tão grandes assim]. Devido a isso, parara de tomar banho de piscina e de mar. Fica apenas admirando a água brilhando sob um sol escaldante e gostoso de sentir. Por muitas vezes, a mãe dizia sentir vergonha dela e por tudo isso e outras coisas, ela não sabia conter suas emoções. Externalizava tudo através de um choro grosso, parecia cachoeira, cujos olhos não possuíam brilho algum. Sim, sua infância fora muito difícil. Até que ela resolveu se conter, percebera que chorar, teimar e chorar de novo não adiantariam nada. Então, pensava em tudo: fugir, suicidar-se algumas vezes (mas desistia, achava que podia fazer melhor), juntar dinheiro e pagar tudo o que a família gastara com ela. Enfim, pensara em tudo.. mas uma vontade prevaleceu sobre todas as outras: iria dar a volta por cima e provar que não era tão ruim quanto falavam, iria conseguir terminar o ensino médio, passar no vestibular e ter uma profissão digna. Assim que terminasse a faculdade, com certeza sairia de casa e viveria a sua vida. Não precisaria de homem [acreditava que nunca fosse encontrar alguém]. Seria sozinha mesmo, mas seria singular como nunca acreditariam que viesse a ser.

Há mais histórias de Ana e de sua vida atravessada e desacreditada.


Lu Rosário


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3 comentários:

Ana Julia disse...

Existem muitas histórias de ana perdidas por aí, realmente. Adorei, é triste, sofrido, mas existe passar por cima e se tornar alguém.

Adorei!

Beijos.

Jade Amorim disse...

Flor, tava logada no email da minha irmã. Jade no coment de cima. Rs

Smareis disse...

Que maravilha de história Lú. Menina que maravilha de Escritora tornaste. Parabéns!
Quantas e quantas história parecida com a de Ana existem, e eu conheço até algumas.
Vou dizer uma coisa que nunca tinha dito risos, mas sempre fui admiradora de suas escritas, te acho uma poetisa e uma Escritora nota mil. Você consegue escrever com uma maestria louvável. Desejo sempre muito sucesso pra ti amiga .

Depois de alguns dias ausente, ja estou de volta tentando colocar tudo em dia.
Beijos grande!

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