domingo, 18 de março de 2012

Um jogo de culpas na Educação

Pedrinho, estudante de uma escola pública, vai cursar a segunda série e mal sabe compreender as letras que decodifica - a professora diz que a culpa é do alfabetizador. Mais adiante, o mesmo aluno chega na quinta série com a mesma dificuldade e o professor diz que a culpa é dos professores do Ensino Fundamental I. Só que Pedrinho continua com dificuldades e vai passando de série porque a escola não realiza atividades que realmente o avalie nem quer que o aluno perca por uma gama de razões burocráticas. Então, ele vai para o Ensino Médio e a culpa dele permanecer um analfabeto funcional passa a ser do professor de português do Ensino Fundamental II. Caso ele entre em uma universidade, a culpa será do ensino  educacional público.

Em outras palavras, há sempre um jogo de culpas quando o assunto é educar e obter mudanças significativas no indivíduo e, então, eu me pergunto: Será que há um culpado? E de quem seria realmente a culpa? Já estou cansada deste bumerangue, no qual o jogo persiste em continuar e as discussões nunca acabam. Tenho percebido que o problema vai muito além, a educação pública brasileira está em um estado alarmante. Não há profissionais bons o suficiente, digo isso porque é perceptível a falta de habilidade com as disciplinas que eles ministram. Um professor que entra em uma escola falando "- Nós vai onde hoje?" acaba não sendo um bom exemplo para aqueles que precisam ter um conhecimento da língua formal, visto que a linguagem popular já lhes convêm.

Acontece que os cursos de licenciatura dominaram as instituições de ensino superior à distância e, em dois anos, qualquer pessoa sai com um diploma na mão. Mas será que esse é o tempo suficiente para alguém sair habilitado a ensinar outros? Acredito que não.  Acredito que quatro anos de faculdade ainda é pouco e nem assim saímos prontos para o mercado de trabalho. Além disso, os concursos públicos ocorrem com uma frequencia, de certa forma, demorada e o número de contratados é enorme. Muitos deles são bons profissionais, mas o contrato não lhes permite participar de cursos e eventos que visam a sua formação. Para vocês verem, é tudo muito difícil.

Há uma rede que agrega todos os fatores que tornam o sistema educacional ser o que é. Além do mais, temos a falta de recursos aliada à falta de estrutura nas escolas, a desvalorização da profissão com baixos salários e o imaginário de que, apesar dessa profissão ser a base para todas as outras áreas do conhecimento, ela não possui reconhecimento algum. Desse modo, o professor já vai para a escola desmotivado. E uma coisa é fato: desmotivação contagia. Portanto, o melhor a fazer é ter amor à profissão e se esforçar para entrar em uma boa faculdade. Um bom curso favorece a realização de um bom profissional e amor à profissão proporciona dinamicidade e mudança no aprendizado do aluno. Se Pedrinho tivesse tido professores capacitados, ele não seria alvo deste jogo de culpas porque um bom professor, ao perceber suas dificuldades, trabalharia em cima delas e o auxiliaria no ato de escrever e ler com autonomia.


2 comentários:

Anônimo disse...

é verdade, complexo identificar a origem do problema, a unica certeza é a necessidade urgente de mudança. A desvalorização da profissão, afastas pessoas dedicadas que dariam melhores professores e deixa insatisfeito os professores que já nem tinham capacitação suficiente, e quem paga é o aluno. O caso do Pedrinho para mim é falta de interesse do professor no aluno.

i.

Lu Rosário disse...

Verdade, meu dengo.
Quem paga o pato é o aluno, vítimas dessa instituição sem escrúpulos.. pois educação é coisa séria!

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