quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Poderia não ser assim...

Sentir-se sozinha é, de repente, perceber que todas as noites são iguais, sob cobertores e virtualidades; e saber que não adianta pensar em como irá sair naquele dia porque não há ninguém que possa lhe fazer companhia. Essa sensação é algo que inevitavelmente nos pega e arranca sorrisos falsos. É a partir daqui que começo a fazer auto-observações e percebo o quanto somos dependentes dos outros. Dependemos sempre de alguém para sair, para desabafar, para distrair, para arejar as idéias; sentimos falta de ver pessoas diferentes, estilos diferentes e formas de agir diferentes das nossas; precisamos beber e comer o que não temos em nossa casa para inovar o paladar; precisamos, também, sentir outros aromas e perfumes; além disso, necessitamos sentir toques e respirações coletivas (ou não) que não sejam as nossas. Sentir-se sozinha e permanecer intacta nos dias e noites torna a vida mais fria e os olhos marejados. A solidão mais doída é justamente essa: ter muitas pessoas e ao mesmo tempo não ter ninguém. Enquanto a lua desfila, as pessoas cantam, se embriagam lá fora e eu me aquieto em vontades.


Lu Rosário


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5 comentários:

Paolla Milnyczul disse...

Só é realmente feliz aquele que se sente bem na sua própria pele. Eu sou feliz. Eu simplesmente, parei de me importar com os outros e comecei a prestar atenção em mim!
Afinal, não sou obrigada a fazer tudo que os outros fazem.

Aquiete-se em você. Descubra-se novamente. Tire suas vontades do armário,e dome a si mesma...


Por que você faz poema? disse...

Sozinho na multidão é uma sensação inquietante, mas a solidão alimenta a poesia.

Anderson J. Silva disse...

Eu acho que a solidão também tem seu ponto forte. Acredito que um indivíduo precisa de um momento para sí só, para pôr as ideias no lugar. Particularmente, eu gosto da solidão. Não que eu seja um anti-social, mas o silêncio faz bem.
Mas, como tudo em excesso faz mal. É sempre bom equilibrar. rs
gostei do texto!

http://errosxacertos.blogspot.com.br

Lázara papandrea disse...

belíssimo texto Lu! a vida nos ensina a ser feliz só. um dia te sentirás repleta em ti mesma. beijos

Paulo Sotter disse...

Estar só pode ser apenas por força de circunstância, e isso pode até ser positivo, um momento de reflexão. Sentir-se só é outra coisa completamente distinta, essa solidão mesmo na companhia de outras pessoas, é uma dor lenta e persistente que agrava-se nas madrugadas, na quietude. É uma solidão da alma. Esta só um sentimento avassalador como o amor e a paixão podem arrancar do peito.

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