quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amores e despudores


Úrsula era o seu nome, Emerson o dele. Conheceram-se de forma um tanto inusitada porque trocaram dois pares de palavras pessoalmente, mas só se conheceram realmente nas redes sociais - lugar de muitas palavras e propício a desinibições. Úrsula era tímida, mas com toques de despudores, com liberdade poética, com sensualidades sob a pele - visualizadas por uma tela. Emerson era tímido também, mas de uma timidez diferente. Ele jogava com sua criatividade, mostrava-se mais recatado e sugeria perdições. Sugestões que funcionavam como contraponto aos que Úrsula lhes colocava. Toda palavra, por eles trocada, parecia ser cuidadosamente pensada ou distraidamente falada. Nada era dito tão espontaneamente, até porque a vida de ambos não se restringia a eles. Úrsula tinha suas desilusões, Emerson os seus amores. Úrsula era repleta de receios, Emerson vivia como se uma aventura. Ambos possuíam encantamentos, não necessariamente um pelo outro. No dia em que se reencontraram, sorriram. O sorriso era leve e de uma leveza absorta. Entreolharam-se, sentiram todos os atrevimentos compartilhados e que julgavam não poder ser desperdiçados. Entretanto, haviam outros encantamentos e desarranjos pelo caminho. Na estreita curva, algo se perdeu (ou se reencontrou?). Não sabemos, eles ainda não voltaram para contar a história.

♪ Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber ♫

[George Israel / Paula Toller]

2 comentários:

Rafaela Figueiredo disse...

Adorei o gostinho de quero-mais no final!
Seus textos sempre, na vdd, com esse gostinho...

Bjos

Claudio Chamun disse...

Conheço bem estes lances de se conhecer nas redes sociais.

PS: Eu era metido a valente sim.
rsss

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