sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Do virtual, um.

Não foi tão de repente. Eles já haviam trocado alguns dedos de prosa. Conversas de liquidificador, como aquelas que se trocam ao pé do ouvido e ninguém mais fica sabendo. Urânia era uma moça de modos recatados e mente aberta. Marcelo era um rapaz de modos e mente recatados, com suaves tons abertos. Não sabiam se tinham similaridades. Sabiam que eram homem e mulher entre vontades inflamadas. Ele sempre a chamava para visitá-lo.

A proposta era um filme, outros dedos de prosa com traços confessionais e não mais palavras digitadas. Urânia sempre queria ir, mas de tão ocupada não podia. Negava a vontade. Marcelo mantinha-se sob espera. Quando se encontravam, seus olhares desviavam. Afinal, não queriam que percebessem o quanto havia querer em suas pupilas. Naquele sábado, Marcelo novamente a chamou - imaginando que ela viesse a negá-lo, como das outras vezes - mas, desta vez, o convite foi certeiro e às 15:00 estava ela, no ponto de ônibus, com uma saia florada, uma blusa bordada e uma capanga ao lado. Lá estava ela com a consciência das possibilidades e a cabeça a mil. Lá estava Urânia com a cabeça em outro mundo, pensando no quanto seu nome a identificava como de outro planeta. Não poderia ser diferente, ela estava lá e cá. No seu celular, enviou uma mensagem: Já estou indo. Em sua casa, Marcelo recebera a mensagem e com um sorriso largo, jogou a toalha no ombro e foi tomar seu banho.

O banho, para ele, trazia todas as ideias e o molhava de novas sensações. Ao sair do banheiro, olhou ao redor para ver se a casa estava pronta para receber aquela moça tão bonita. Outra mensagem: Já estou na porta. Coração nem deu tempo de acelerar, logo estava na porta recebendo-a. Desconfiada, Urânia entrou como se entrasse em outro mundo. Marcelo, como todo homem, tranquilo a olhava de cima em baixo - em pernas e seios, quase à mostras. Sim, conversaram horas a fio. Concretizaram o que antes era virtual. Até que...de súbito, seus olhos pararam sobre os lábios dela e o corpo incendiou. Urânia o sentiu puxar, chupar lábios e seios. Sentiu ele arranhar suas roupas, arrancar seu corpo e colocá-la sobre ele. Marcelo sentia suas mãos a apertarem, seu corpo a entregar-se, sua boca a chupá-lo. Após uma hora. Jogados sobre a cama e com dedos entrelaçados, havia um verbo de despedida. Um adjetivo que o negava. Uma atitude que o confirmava. E se vestiram sedutoramente. Ponto de ônibus - distâncias - virtual: essas três palavras voltaram a fazer parte do que, por algumas horas, representavam uma.


4 comentários:

Ricky Oz disse...

Muito bom! História que prende, sedutora e excitante. Gostei!

Beijos!

Claudio Chamun disse...

Muito bom.
Começou e terminou com sensualidade.

Obrigado pelo elogio lá no blogue.

Beijos

Rafaela G. Figueiredo disse...

A descrição dos personagens ganha um tom clariceano: simples, abrangente e, ainda, sutil.
E eu adoro!

Beijo, Lu

Vanessa Santos disse...

Bela narrativa! No inicio lembra um pouco Eduardo e Mônica...
http://mardeletras2010.blogspot.com.br/2013/11/ha-mais-coisas-entre-o-ceu-e-terra-do.html

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