segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

De nós, a sensação.

Senti uma risada gostosa, atravessando-me os ouvidos, arrepiando-me a pele e me transviando para o melhor que havia entre nós. Intimidade era uma palavra que nosso corpo subjetivava sem maiores explicações. Naquele dia, nos encontramos no momento exato. Eu percebi que ele estava com a roupa ideal para ser tirada. Admirava-o pensando na melhor maneira de despi-lo. Meus olhos se calavam diante daquela sensação, que parecia estúpida, entre querer e não entender. Confesso que não entendia os repentinos desejos e o palpitar sob a pele. Em alguns passos, contados bobamente, chegamos em seu apartamento. Um elevador, um corredor e a única entrada. Silenciosos, sabíamos ser turbulentos por dentro. Calados, nos detemos um frente ao outro como se não houvesse outros espaços para caminhar. A mão dele passou sobre minha cintura, fazendo com que eu mordesse os lábios. Subindo, fervia-me o sangue. Por entre meus cabelos, passava algo que até aquele momento fazia parte de mim. Da cintura pra cima, eu passei a ser nua - de vestimentas e de razão. Deixei-me cair e, neste ínterim, você estava lá e fazia meu corpo pesar. Eu não sabia mais quem eu era, havia confusão entre nós dois. Havia intranquilidade no raro olhar e havia certezas permitidas. Quando, no meu ouvido, você sorriu, busquei saber o porquê, fiz uma de desentendida e ri não sei pra quê. Provavelmente, eram as certezas que carregávamos entre impulsos e lá vai cassetadas. Quem sabe, eram trapaças que a vida nos dava ou tentativas de arrancar neutralidades. Do nosso envolvimento, restava dois corpos e uma cama ensopados de tesão.


3 comentários:

Kika Farude disse...

Que texto lindo e gostoso.

http://www.expositoriafantasia.blogspot.com.br/

Rafaela G. Figueiredo disse...

Quê delícia de leitura e sensação, Lu!
Lindo!

Rafaela G. Figueiredo disse...

Que*

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