domingo, 9 de fevereiro de 2014

Enfim, Cinquenta tons de Cinza!

Ensaio fotográfico Sem Pudor
Quando Cinquenta tons de cinza foi publicado, ouvi murmurinhos. Depois de um tempo, tornou-se polêmica.  Todo mundo estava lendo, comentando e dizendo que o livro era um máximo. Todos me indicavam a leitura e diziam que ele tinha tudo a ver com a atmosfera do Pudor Nenhum. Entretanto, alguns outros amigos - mais dados às leituras e conhecedores do universo literário - diziam ser ruim e alegavam que a escrita, o conteúdo ou até mesmo a autora não faziam parte deste meio de eroticidade. Sem contar que a escritora, em uma determinada entrevista, demonstrou não ter conhecimento algum a respeito dos grandes nomes da literatura erótica.

Com tanta polemização, é claro que o livro ganharia outros suportes e sairia das prateleiras. Em 2015, ele estará nos cinemas e seus leitores estão enlouquecidos com a novidade. Depois de tanto bafafá, deixa de ser novidade quaisquer palavras que eu venha a proferir. A única novidade talvez seja a minha opinião sobre o livro.

Quando comecei a lê-lo, achei chato. Um começo de romance infanto-juvenil escrito de um modo que não me atraía. Para continuar a leitura, demorei um pouco. Li o primeiro capítulo duas vezes e, na terceira tentativa, resolvi deslanchar. Afinal de contas, eu não ia ficar o tempo todo nas primeiras páginas. A história eu já sabia: um rapaz rico e dominador que se envolveu com uma moça virgem. Logo, no início da leitura, não tive dúvidas sobre o porquê do livro ter feito tanto sucesso: James, ao escrevê-lo, trouxe como protagonistas uma estudante (Anastasia Steele), que não conhece os meandros da sexualidade, e um jovem (Christian Grey) riquíssimo. A maioria das leitoras haveriam de se identificar com Anastasia devido a tanto poder e beleza da personagem - é claro que seria o sonho de consumo de qualquer menina na flor da idade (ao menos na sociedade em que vivemos). Depois, o livro traz cenas de sexo com um tal de contrato feito por Christian, personagem tido como sadomasoquista, e por aí vai.

Sinceramente, ao ler, não vi nada demais no que dizia respeito ao sexo e, nesse ponto, também não vi uma escrita-delícia (Sério, deu uma esquentadinha... mas vontade nenhuma de gozar). No entanto, uma coisa é interessante: dentro de um enredo simples, a escritora apresentou um pouco do sadismo - ainda que superficialmente, mas mostrou. E o livro fez tanto sucesso justamente por essa junção: identificação, sonho de consumo e sexo. Onde tem sexo, o povo gosta. Onde tem sexo contado de forma simples para publico jovem, aí é fama garantida!

Agora que eu li este primeiro da trilogia, vou ler os próximos. Antes, um intervalo para aquela real literatura erótica. Não se preocupem, indicarei todas as minhas leituras para vocês. Ah sim, a pergunta que não quer calar: Lu Rosário indica ou não Cinquenta tons de Cinza? Indico sim, claro! Quaisquer leituras são boas, principalmente para compararmos com outras tantas leituras que podemos fazer. Agora me diz você, quais os desejos despertados e qual a sua opinião sobre este polêmico livro? Quero saber, viu?


3 comentários:

Laysa disse...

Tudo que envolve sexo é muito polêmico, pq a galera polemiza o sexo, ao invés de fazê-lo, assim... Sem pudor! Se a galera se permitir, vai ver que não precisa ngm se apoderar de ngm pra ter um sexo prazeroso, par a par é que se vai... Só em saber que o rapaz é rico, e a moça virgenzinha, inocente, já não me interesso por ler... Quer ver um livro que tem sexo de verdade: "Manual prático do ódio", um livro magnífico, que não polemiza o sexo, mas explicita algumas cenas, já que... Graças a Jah, isso está presente na vida de muita gente...

Tiago Mello disse...

Na minha opinião, em Ciquenta Tons de Cinza, a autora não demonstra grande domínio de recursos dramáticos, oratórios e - muito menos - líricos. Em algumas passagens, o romance chega até a ser um tanto fútil, não pelo conteúdo (erotismo), mas pela forma como a escritora o aborda, o trabalha, e pela forma de toda a narrativa, de um modo geral, que o torna inexpressivo, tolo. Isso sem falar na (falta de) análise psicológica, que é realmente pobre; as personagens, ao meu ver, não têm grande complexidade.
Na verdade, sou um pouco suspeito quanto a isso pois costumo ser muito crítico quando se trata de arte e, mais ainda, quando o assunto é literatura. Até porque o meu grande contato com o universo literário é com os clássicos de política e com as vertentes Realista, Naturalista e Modernista, que são marcadas por um forte engajamento político social - que é o que mais me interessa em todas as expressões artísticas: a denúncia social e o retrato sem idealização das relações humanas -, então costumo relutar um pouco quando o romance não aborda essa temática.
E se me permite mais algumas linhas, eu discordo do pressuposto generalizado de que a grande repercussão desse tipo de arte (os romances eróticos e, mais recentemente, "Ninfomaníaca") esteja relacionado com uma suposta maturidade da sexualidade feminina - imagem que muitas mulheres têm feito de tudo pra consolidar. E, pode ser que eu esteja equivocado, mas eu arriscaria até que a maturidade de uma mulher é diretamente proporcional à sua indiferença em relação a toda essa indústria erótica que tem se expandido. Se considerada a enorme quantidade de meninas sem muita experiência sexual (muitas delas virgens) que usam isso como forma de se autopromover como adultas, maduras, modernas etc., você talvez entenda o que eu quero dizer: "oi, meu nome é Maria, sou adulta, moderna e bem resolvida porque li Cinqüenta Tons de Cinza e sei o que é sexo".

Lu Rosário disse...

Thiago, muito bom ver um comentário tão consistente como este seu e advindo de alguém que realmente conhece literatura. Sinto falta de leitores mais assíduos e críticos. Em relação a maturidade de uma mulher, acredito que seja um pouco frajuta também. Quero dizer que, hoje em dia, o sexo passou a ser banal. Ainda que a mulher seja virgem, essa promoção de "ser moderna e descolada em todos os sentidos" existe devido ao acesso ilimitado de informações relacionadas ao sexo. Ter acesso ou experienciar, não torna ninguém maduro o suficiente. Acredito que alguns sentidos estão sendo ressignificados.

Enfim, querido, AMEI seu comentário. Volte mais vezes!

Beijos!

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