sábado, 24 de maio de 2014

Sobre Relacionamentos Abertos

Reprodução: http://clammus.tumblr.com/
Nada mais polêmico do que o relacionamento aberto. Encarado como uma safadeza entre os conservadores, uma promiscuidade entre a maioria e um modo de viver entre aqueles de mente mais aberta, romper com a monogamia tem sido uma forma adotada por casais para evitar privações e sentimentos de posse. Assim como em qualquer relacionamento, o considerado aberto possui todos os encontros, intimidades, DRs e planos. A diferença está no modo como se encara o sentimento pelo outro. Vejamos: na relação monogâmica, ambos precisam ser apenas um do outro. É proibido quaisquer possibilidades extra-conjugais, a relação se dá apenas entre eles. Acredita-se que romper com isso significa um não querer mais e que desejar o outro seja perder a chama que sustenta o relacionamento; na relação aberta, é possível outros relacionares. Independente de outros encontros e relações, a pessoa sabe que é com ela que se está. A confiança é maior e os sentimentos de ciumes precisam ser abolidos ou acordados. Mas como assim, acordados? É neste ponto que quero chegar. 

O relacionamento aberto, como muitos imaginam, não é algo de qualquer jeito, uma bagunça ou uma brincadeira. Pelo contrário, ele possui uma série de regras para que corra de forma saudável e ninguém se machuque. Há casais que preferem saber por quem o outro está interessado para que ele esteja ciente de tudo, há outros que preferem não saber de nada; há quem não permita relações entre amigos próximos ou familiares, há quem não se importe com isso; há quem não queira que o outro dê beijo na boca, só sacie outras vontades com sexo e há quem nem dê importância a este fato; há, também, quem não aceite relacionamentos paralelos, só saidinhas básicas e claro que há aqueles que pensam diferente. O lance do relacionamento aberto é ter um namoro sem precisar se privar do desejo por outros. Os acordos e as regras precisam ser claras o suficiente para não magoar ninguém, visto que esta forma de se relacionar já é complexa por si mesma, principalmente na sociedade em que vivemos na qual a criação e a cultura vão contra isso. 

Alguns casam e vivem toda uma vida dessa forma, outros não conseguiriam. Para que dê certo, os dois precisam pensar do mesmo modo para que as turbulências sejam menores entre ambos. Assim como um leitor me revelou, este tipo de relacionamento com possibilidades extras tem como "condição de que isso não se torne tão importante quanto meu relacionamento com ela. Se isso acontecer, o relacionamento aberto se transforma noutra coisa". É preciso, portanto, ter respeito, companheirismo e colocar a relação dos dois acima de qualquer outro. Na verdade, isso é o minimo que qualquer casal precisa para ser feliz.

Ter estabilidade amorosa consiste nestes aspectos, que incluem a confiança como formador desse tripé afetivo. E isso não é coisa da modernidade não, viu senhor e senhora? Tais relacionamentos sempre existiram e tomaram mais alcance a partir da década de 60 com a famosa revolução sexual, que trouxe questões polêmicas como pílulas contraceptivas, aborto, homossexualidade e o movimento feminista, cuja bandeira dizia "Nosso corpo nos pertence". É claro que ele nos pertence. As relações, então, passaram a ser constituídas do nosso modo (ou seja, com resistências contra um sistema conservador). 

O relacionamento aberto, bem como o tradicional, são apenas perspectivas diferentes para se relacionar. Uma referência é Sartre e Simone de Beauvoir, que viveram um relacionamento aberto por mais de 50 anos e foram exemplos de fidelidade e de companheirismo. Como o próprio Sartre disse, "entre nós, trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes". O importante, então, é nos amarmos. Aberto ou não, sigamos sem julgamentos e sejamos felizes com nosso parceiro.


2 comentários:

JOSENI disse...

Olá,
Cheguei chegannnnnndo
Gostei do texto e estou pedindo a sua permissão pra compartilhar lá no BLOG DO PARCEIRO, sempre dando os devidos créditos a quem de direito.

http://josenidelima.blogspot.com.br/

Elyane Lacerdda disse...


Acredito que o importante é amar, e cada casal deve descobrir como querem o relacionamento, não podemos e não devemos julgar, temos mais é que cuidar de nossos amores!!!!
bjus
http://www.elianedelacerda.com

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