terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Quando era 'a gente'


A gente namorava. Era um desses namoros juvenis: cheios de aventuras, de sorrisos, de receios, de paixão. Daqueles em que os orgulhos são engolidos, as lágrimas sentidas pelo outro, o tesão compartilhado, o sexo um paraíso a dois. Sentíamos que estávamos ilhados de desejos e sonhos. No entanto, como em todo relacionamento, uma palavra nos tomava: imaturidade em saber se reconhecer e, a partir disso, conceber o outro como um todo em nossa vida - além do minha. Incertezas, inseguranças, relatividades que convergiram em um adeus mais longo. Retornos, subjetividades, amor: palavra certa para os dois. Teimosia, pé no chão, querer seguir em frente foi tudo o que, um dia, eu lhe disse... até que, num verão, ele me disse que estava sério com alguém. Alguma paixão? Não sei. Sei que, apesar de tudo, meu coração ainda acelera um acelerar sôfrego porque sabe que não adianta querer sair pela boca. Na lista de tudo o que podíamos ser, havia uma linha tênue que nos apontava um 'não' redondo. Do que poderíamos abrir mão, seguramos e fechamos em punho firme. Diz ele que é amor pra sempre, diz ela também...mas o nós do amor não se encontra e entre ficar em cima do muro, houve um pulo sorrateiro pro outro lado. Sim, era preciso seguir em frente.


2 comentários:

Anônimo disse...

LU!
Belo CONTO de ficção ou REALIDAE, me pareceu que FIZESTE UMA PROJECÇÃO FIEL do QUE TU SOFRESTE!!
Pulaste para o outro lado do muro..........
Mas, bem lá no ORIZONTE, irás encontrar MAIS UM MURO PARA O ULTREPASARES A DOIS!!!!
FELICIDADES.
"(sol37pacheco@gmail.com)"

Lu Rosário disse...

Não poderia lhe confirmar isso, mas muros são sempre melhores quando ultrapassados a dois.

Beijão e muito obrigada pelo carinho!

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