sábado, 6 de outubro de 2012

Alexandrina em crises e amor

Existem namoros que são mesmo complicados. O caso de Alexandrina parecia mais complexo do que todos os outros. Completavam sete anos e meio de namoro com quatro términos devido a influências externas, mas o que não faltava era amor. Amavam-se loucamente e, por isso, abriram mão e lançaram-se em sonhos e devaneios. Acontece que no penúltimo término, ele resolveu ir embora da terra onde viviam e passou a residir há mais de mil quilômetros de distância. Alexandrina, com o coração apertado de saudade, resolveu procurá-lo e então os afagos voltaram e eles também voltaram a habitar um dentro do outro. Até que a monotonia tomou conta deles e os problemas retornaram. Para resolver a situação, ele tomou uma iniciativa sem comunicá-la e a magoou profundamente. Neste momento, Alexandrina perdera-se. Foi quando ela se sentiu sem valor, lixo, nada. Não se sabia mais. Precisava demais dele e, portanto,  não podia se sentir excluída porque foi assim que ela, infelizmente, se sentiu. Alexandrina tinha planos e carências demais para não ter um alguém e uma forma de suprimí-los. Desse dia em diante, o coração dela endureceu. Foi uma ferida que tentou, mas não conseguiu cicatrizar por completo. Alexandrina bem que tentou e relutou, mas não teve jeito - o amor era maior. Ele fez promessas e ela aceitou porque tudo o que queria era sentir o cheiro, o abraço e o beijo dele. O amor era recíproco. Passou mais um ano e meio e o namoro permaneciam com problemas que precisam de longo prazo para serem resolvidos. O namoro parecia um pouco morto, sem encontro nem beijo na boca. Quando se viam, nem a saudade matava e o pior era que Alexandrina não se sentia parte completa dele. Eles mal possuíam a liberdade comum aos casais e para que algo pudesse mudar, as falas dela tinham que se repetir até o palito realmente entrar no palheiro. Com algumas lágrimas, o namoro ia seguindo só na razão do amor. Só amor não traz felicidade, concluiu Alexandrina. Concluiu também que o tempo não resolve tudo, a interferência e as mudanças de atitude são essenciais para que tudo se torne melhor. Alexandrina estava carente da vida, vivera pouco as emoções dos relacionamentos, sofrera muito com o que tivera - apesar de que os melhores momentos da sua vida foram com ele. Alexandrina deve suas descobertas, seu sorriso mais gostoso e sua sexualidade aflorada à ele. Alexandrina ainda pensa em investir nesta relação e que dessa vez seja em grande estilo, sem precisar derramar lágrimas e com todas as perspectivas do seu e do mundo dele.


Lu Rosário



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8 comentários:

Anônimo disse...

Notei muita pessoalidade no texto.
Adorei a escrita e quero lhe dizer que infelizmente as verdadeiras histórias de amor são assim.

É muito difícil dizer adeus a quem se gosta de verdade, mas muitas vezes tudo isso é preciso para se encontrar a felicidade plena, seja ela com a mesma companhia ou não.

Está de parabéns. A carga emocional do texto descorrido tocou meu coração.

Lu Rosário disse...

Obrigada, Anônimo!
Estou curiosa para saber quem fala..

Danny disse...

Ain que texto lindo, você escreve muito bem..

Seu blog é muito lindo, estou seguindo, amei tudo aqui ;D

bjos

MeninaMulher

betoacioli disse...

Grato pela visita e comentário em meu blog.Volte senpre.Parabéns pelo seu blog! Sigo-te!

João Costa Filho disse...

Olá Lu. como tatú? Ó, penso que conheço a Alexdina, e que ela tá muito investindo nela mesma, e depois nela de novo, e novamente, e assim sucessivamente sem fim. E o Romeu q sequer é citado! Eu hein, q amor mais unilateral (narcisico)... Se eu tiver errado atira a primeira e outras pedras. Mas porém e todavia a poetisa e escriba merecem meus aplausos.

Todos os beijos
João Costa Filho

Jeferson Cardoso disse...

Lu, influências externas, desistências, monotonia corrosiva, tédio, resfriamento da relação, nada neste mundo é capaz de dissuadir a determinada Alexandrina de seu sonho. Mais do que querer ‘ELE’, ela queria o amor. Beijo, linda!

Anderson J. Silva disse...

Para resolver problemas assim, não basta entregar nas mãos do tempo e esperar uma solução. É necessário um diálogo.
Bela história!

http://errosxacertos.blogspot.com.br/

Paolla Milnyczul disse...

Se houvesse uma unica palavra para perfeição seria este texto.
Realmente, escrever é uma terapia.

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