quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Êh ENEM, onde você vai parar?

Lembro-me de quando, em 2002, eu ia me inscrever para o ENEM e disseram que, preenchendo um documento que comprovasse a falta de recursos financeiros para a inscrição, eu poderia conseguir a isenção da mesma. Sem provar nada, este atestado me deu direito a uma inscrição gratuita. Eu estudava em uma escola particular e, ainda assim, consegui esta regalia. Fiz porque acreditava que não seria aceito, mas foi. E a prova tinha 63 questões objetivas de raciocínio lógico e interpretação, além da redação - feitas em um único dia - e cujas questões eram criticadas. No ano seguinte ainda foi assim. Sei que  resultado do ENEM servia exclusivamente para o PROUNI (Programa Universidade para Todos).

Algumas universidades particulares aderiram e para os que estudaram em escolas públicas, este exame passou a ser a melhor forma de obter o nível superior. Depois veio o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) que se popularizou entre aqueles que gostariam de se graduar em cursos mais caros e concorridos, como Medicina. Assim, e a partir de uma série de exigências e com a devida aprovação, o aluno conseguiria cursar os anos de faculdade e, após se formar, pagaria o investimento que lhe fizeram. Antes e após isso, começaram a surgir boatos de pais e de alunos que conseguiam tais recursos de modo ilegal. Conversa vai conversa vem, o ENEM continuou passando por mudanças até surgir o SISU (Sistema de Seleção Unificada), o qual as universidades públicas estariam filiadas e cuja porcentagem das vagas lhe seria reservada. A partir daqui, pronto: o número de universidades relacionadas a esse sistema aumentou e, em algumas universidades, o processo do vestibular já não existe.

Diferente de 2002, conseguir a isenção tornou-se bem mais complicado, além das provas se tornarem bem elaboradas e parecidas com as do vestibular, contendo 180 questões objetivas e uma redação - para serem feitas em dois dias.  Os cursinhos e escolas de ensino médio estão voltados para isso e os alunos das escolas públicas, mais uma vez imaginam a concorrência desleal - ainda que haja o número de vagas voltados para a ampla concorrência, escolas públicas e quilombolas. Hoje em dia, a preparação para o ENEM está nos outdoors e anúncios de instituições educacionais, está na cobrança do aluno sobre si, está nas manchetes dos jornais e, sobretudo, está na decisão de futuros profissionais. Há quem tente fraudar, há quem chore por perder a prova. O ENEM tornou-se essencial para a vida acadêmica, ainda que não seja a única forma de ingressar na universidade (não por enquanto).

Em 11 anos, muita coisa mudou e continua mudando. Quero ver onde as coisas vão parar e quando a escola pública receberá o investimento necessário, quero ver se tais estudantes continuarão tendo acesso às universidades públicas dessa forma e se isso lhes será bom, quero saber também se as universidades públicas manterão a qualidade e formarão sempre bons profissionais. Enfim, são muitas perguntas..muitas coisas acontecendo em tempo record e muita inquietude perante o sistema educacional brasileiro. Que a discussão nunca cesse e que os bons  pesquisadores surjam para dar rumo a esta parafernália toda em que a educação parece querer se tornar.

Um comentário:

Rafaela G. Figueiredo disse...

O enem é de caráter público e é, por isso, uma balela.

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