sexta-feira, 7 de junho de 2013

Na pele, insinuações.


Nosso primeiro encontro. Ouvi as batidas na porta e pensei no quanto eu estava bem com aquela lingerie que julgava provocante, aquele perfume suave e aquele vestido que rompia com o cotidiano que me ultrajava. Já havia olhado no espelho e sentia-me sensualíssima. Ao abrir a porta, percebi seu indubitável olhar e seu sorriso atravessado. Ele estava ornado de uma beleza singular, apresentava-se de um modo que rotineiramente fugia da minha percepção. Vez ou outra encontrava seus olhos pousando sobre o meu decote, mas eu não me importava porque havia colocado-o justamente para ele. Antes de mais nada, sabia que também precisava puxar assunto, socializar de outras formas que não fossem as corpóreas. Então, comecei a falar do meu último imprevisto no trabalho e do quanto isso me exaurio momentaneamente, mas me fez rir em um momento posterior. Ainda mais por que uma colega, em uma crise de nervos, começou a gritar e dizer que estava com fome...muita fome.

E, ao falar fome, parecia que ele era quem mais estava faminto. Peguei-o mordiscando os lábios e com os olhos intactos sobre minha pele, alternando em meus olhos e reticentemente querendo mostrar-se a par da conversa. Em questão de segundos, ouço sua voz a me elogiar. Elogiava-me sutiã e seios.  Não sabia ele o quanto, disfarçadamente, eu passeava por entre sua calça e tentava desvendar seu mastro. Meu dever naquela noite era conhecê-lo e me expor por completo. Eu queria romper com tudo o que nos estruturava. Convidei-o a subir, o andar de cima era mais interessante. Enquanto subíamos, pensava:  "Será que seria como transarmos aqui?". Acredito que ele pensava a mesma coisa, sentia uma conexão sexual entre a gente. A cada degrau que subíamos, minha boca pronunciava sons sem sentido. Já nem sabia mais o que falava, meu corpo se esquentava. A presença dele me colocava em chamas.

De repente, como em impulso, senti-o me puxar, chupar meus seios e transformar suas duas mãos em dez. Eu pedia um pouco mais de vagareza para saboreá-lo melhor. A mesa, posta para um belo jantar, tornou-se lugar de outros jantares. Sua língua sugava meu sexo, minha mão ia em sua calça descendo-lhe e segurando sua virilidade. Abocanhava-o com toda a intensidade, molhava-o, transpassava-lhe a língua. O cheiro que você exalava com toda a sua habilidade linguística e corporal me inebriava. Concluí, assim, que estava louca (de tesão). Percebi-me por cima dele, naquele arranque suado. Conversávamos lisonjeios e ríamos da nossa ânsia.

Dentro um do outro, fomos ao chão gélido. Seus dedos por entre meus cabelos e agarrando-se à minha bunda provavam o quanto era gostoso tudo aquilo e o quanto poderíamos repetir gozos. Nos extasiamos. Rimos e começamos a trocar bobeiras, dessas que são ditas por embriagados [assim estávamos de prazer]. Falamos sobre como seria se isso viesse a acontecer no trabalho e ele, desvairado, disse que seria casso assim fôssemos pegos [Não deu para não rir, bater e mordê-lo]. Ele elogiou meu corte de cabelo e eu, claro, revelei o quanto era lindo seu despentear. Até que adormecemos e, antes de fechar os olhos, só queria eternizar este momento. Não racionaliza, não sabia nada sobre as horas, só sabia de nós.


* Poema inspirado em Na boca, o bico, o risco, escrito por Daniel Oliveira em Espelho-nu. Diria que uma versão feminina para o poema, o outro olhar.


2 comentários:

Rafaela Figueiredo disse...

Uau! Senti na pele: arrepiei!
Maravilhoso ritmo! Mto fotográfico!

Bjos, Lu

Claudio Chamun disse...

Sem palavras, apenas ... suspiros.

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